Sempre acontece em dia de chuva e trovoada. É dia de choro
O sonho é cortejado por duendes e elfos.
O caixão, que não é lá muito grande, é puxado por fortes unicórnios, guiado por tristes sátiros.
Fadas carpideiras choram pedrinhas de cristal sobre o cadáver inerte do sonho.
Borboletas desmaiam a passagem do funeral, formando um tapete colorido e soluçante a beira do caminho.
Bruxas e demônios riem a frouxas gargalhadas, enquanto Gaia abre sua enorme boca para receber o sonho.
Ele será enterrado a sete polegadas.
E seu dono nem sabe onde ele foi parar.
Todos se despendem do pobrezinho, que nasceu de uma barrigada grande da esperança, mas morreu sozinho.
Ninguém se preocupa em jogar flores no túmulo.
Chão que se enterra sonho é terra fértil
Lá nascerão orquídeas, margaridas e begônias.
E ninguém vai acreditar se eu contar, que aquele jardim no fundo do quintal é a cova de um jovem sonho.