quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

meandros

é só a noite  caindo
em gotas escuras
manchando o rosto
rio negro que sozinho
desvia rugas
encontra caminhos
escorrega
até a represa
 mãos violentas
barreiras ao pranto
buscando acalanto
empatando o rio

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sobre o tempo e as coisas

há aquelas que resistem
Joanas a fogueira
desdenham da ampulheta
criança levada
rotineira
empurra as dores
sempre à frente
desgastando os cantos com atrito
apito
ranger
peso dos anos
amontoar de coisas
velharias novas
redescoberta como inúteis que são
empilham
ocupando espaços
desgastam
matando o tempo

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sons e barulhos esquisitos

São os pedaços desintegrados
pela integridade torta
que te guia
noite e dia
rumo as esquinas
guetos e botecos
curando a dor de amor com mais amores
ouvindo rumores
de dias felizes
em altares floridos
e arroz no véu

Labirinto nº 2

É esse começo
que se inaugura
já fenecendo
e me deixa aqui
boquiaberto
a olhar pra vida
como uma vitrine velha
fora de moda
fora de mim
fora de mão

Afago

Preciso sentir
as aspereza da tua mão
para derreter
como um caramelo sobre a língua
escorregadio e doce
icaro almejando o céu
da tua boca
voando
e sorvendo tua língua
tropeçando em papilas açucaradas
que se confundem com as minhas
até que a morte as separe